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Quando se começa a praticar Pole Dance, rapidamente se percebe que não são apenas os músculos que trabalham! A pele desempenha também um papel fundamental. Muitas figuras exigem contacto directo entre a pele e o varão, criando pressão, atrito e compressão em zonas que não estão habituadas a esse tipo de estímulo. Quem aprende a fazer pela primeira vez um Pole Sit (sentar no varão com a força dos músculos adutores), sabe muito bem do que falo! É pouco divulgada esta informação para não fazer assustar quem acredita que tudo o que tem dor é mau! Mas quem pratica Pole Dance sabe que esta dor não é razão de abandonar a modalidade, mas um excelente treino de resiliência! A razão porque sentimos dor ao nível da pele acontece porque os tecidos estão a adaptar-se a uma nova exigência física. Com a prática regular, a pele, os nervos e os tecidos subjacentes tornam-se mais tolerantes à pressão, fazendo com que a sensação de desconforto diminua gradualmente. Após várias repetições do movimento a dor vai desaparecendo porque a integração do movimento começa também a desenvolver-se. Existe também uma componente neurológica muito interessante. A dor não é produzida apenas pelos tecidos; ela é uma experiência criada pelo cérebro a partir da informação que recebe do corpo. Quando começamos a praticar Pole Dance, o sistema nervoso interpreta muitas das sensações de pressão e contacto intenso como algo potencialmente ameaçador, porque são estímulos novos e desconhecidos. Como forma de proteção, o cérebro amplifica a sensação de desconforto. À medida que repetimos os movimentos num ambiente seguro, o sistema nervoso aprende que aquele estímulo não representa um perigo real. Este processo, conhecido na neurociência como habituação ou adaptação neural, faz com que a intensidade da dor diminua ao longo do tempo. Não é apenas a pele que se adapta; é também o cérebro que aprende a interpretar essas sensações de uma forma diferente. A regulação do sistema nervoso desempenha aqui um papel importante para minimizar a dor. Quando estamos muito cansadas, em stress, ansiosas ou emocionalmente sobrecarregadas, o sistema nervoso tende a ficar mais vigilante e sensível, aumentando a percepção da dor. Por outro lado, quando nos sentimos seguras, reguladas e presentes no corpo, à maior tolerância ao desconforto. É por isso que práticas como a respiração consciente, o descanso adequado e a recuperação fazem também parte do treino tanto quanto os exercícios físicos. É importante relembrar que a sensibilidade da pele não é motivo para desistir. Tudo faz parte do processo de adaptação do corpo e do seu sistema nervoso, a uma prática exigente e desafiante. O mais importante é continuar a treinar com consciência, respeitando os limites do corpo e compreendendo que a adaptação acontece a diversos níveis: físico, neurológico e emocional.
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June 2026
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